"The Pillow Book" é um filme de 1996 realizado por Peter Greenaway, que se insere no nos estilos cinematográficos drama, romance e erótico. Baseia-se no livro "O Livro do Travesseiro " de Sei Shōnagon, que conta com reflexões da vida quotidiana da autora durante o período Heian no Japão. Na criação do filme, Peter Greenaway usa elementos do livro como ponto de partida para explorar temas como desejo, identidade e expressão artística.
Esta obra cinematográfica conta a história de Nagiko, uma mulher japonesa cuja infância é marcada pela tradição que o pai tinha de escrever caracteres de feliz aniversário na pele da sua face. Em busca de conectar-se com o seu passado, Nagiko procura um amante capaz de satisfazer os seus desejos carnais e artísticos, ao escrever no seu corpo nu.
Assim, este filme é repleto de erotismo e choque visual, dando um especial destaque ao corpo humano. É uma obra fora do vulgar, capaz de agradar apenas um pequeno nicho de espectadores, já que rejeita a normalidade, não só pelo seu conteúdo bizarro, mas até mesmo pela sua estilo de produção, como a sobreposição de planos e a enorme variedade de cores, chegando a misturar cores vivas, como o vermelho, com preto e branco no mesmo plano.
Se o espectador procura ver um filme fácil de dirigir e que suba os seus ânimos, “The Pillow Book” deverá estar sem dúvida no fundo da lista. Tem uma concentração demasiado elevada de cenas sexuais que chegam a ofuscar o verdadeiro significado da narrativa, para não falar do desenrolar da história fastidioso que satura e aborrece. Por outro lado, é possível entender o porquê do filme conseguir agradar um certo grupo de pessoas. O cinema é uma forma de arte e o conceito de arte muitas vezes perde-se no dicionário da nossa mente. A arte não é necessariamente uma promoção de beleza, não se insere num pequeno rótulo. Muitas vezes tem o intuito de chocar, de deixar as convenções da sociedade para trás e criar todo um novo mundo de possibilidades, de coisas nunca antes vistas. Esse é o caso deste filme. Para muitos pode não provocar sensações positivas, mas a sua visualização não incita apatia.
Por essa razão, é possível concluir que “The Pillow Book” é uma longa-metragem bem sucedida, uma obra de arte ousada que transcende as convenções tradicionais de estética, som, e de história. É bastante visual e dá a entender que o realizador deu mais relevo à criação de uma estética poderosa ao invés da narração de uma história forte e personagens com substância.









